quinta-feira, 18 de junho de 2009

Indignação de jornalista

Ontem, 17 de junho, foi derrubada a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Fiquei indignada ao ver à notícia na TV, visto que cursei quatro anos de faculdade e hoje sou jornalista devidamente regulamentada.
Pois bem, o pessoal do Supremo Tribunal Federal acha que a obrigatoriedade do diploma é incompatível com a Constituição de 88. Que, segundo o ministro Gilmar Mendes, ser jornalista é o mesmo que ser cozinheiro. Pera lá, "seu ministro”! Além de querer dizer que quatro anos de faculdade de aprendizado de uma profissão não é nada, você também quer dizer que o trabalho de cozinheiro é para qualquer um, ou uma coisa qualquer? É assim que você ignora uma profissão, desmerecendo outra? Já vi trabalho de cozinheiros profissionais, e duvide-o-dó que vossa senhoria conseguiria fazer tal trabalho com tamanha rapidez e conhecimento. É realmente de se lamentar. É claro que qualquer pessoa pode se meter a cozinhar, isso é evidente. Eu também cozinho na minha casa. O que não cabe é eu querer ser contratada num restaurante como profissional, desmerecendo o cara que fez a faculdade de gastronomia ou até mesmo cursos referentes ao assunto. Cozinhar eu posso, o que não posso é ser a profissional do ramo, sacou? É isso mesmo que penso da profissão de jornalista e da necessidade de um diploma. Escrever, todos escrevem. Para isso existem nos jornais, revistas e demais mídias as colunas de cartas do leitor, coluna de especialistas em determinadas áreas, convidados, blogs, twitter, comentários do leitor na internet, e o que mais vier para todos poderem expressar suas ideias. Liberdade de expressão existe sim, o que não pode existir é a ideia de que jornalista não precisa de técnica para nada. Como assim?
Confesso que desde nova já tinha muita vontade de escrever, tanto que minha professora de português foi uma das que me incentivou a fazer faculdade de jornalismo. Via muita coisa sobre a profissão, já que também sou filha de jornalista. Mas afirmo que depois da faculdade aprendi muita coisa. Não é bem assim, que jornalismo qualquer um faz. Escrever qualquer um escreve, mas técnicas e visão para isso são bem diferentes quando se faz uma faculdade para receber tal conhecimento.
Eles dizem que “a formação específica em cursos de jornalismo não é meio idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros” (Gilmar Mendes). Então tá! Quer dizer que um profissional formado em Direito não pode errar de maneira nenhuma, ainda mais quando ele for um juiz, por exemplo... E olha que temos exemplos no país de corruptos formados nesse curso, assim como em outros hein! Médicos cometem erros em mesas de operações, e eles estudaram todas as técnicas possíveis para exercer sua profissão. E aí? Se o cara erra, cabe à justiça punir, assim é no caso do jornalista. Afinal, processos de indenização por danos morais e materiais existem para todo lado, não é mesmo? Então não me venha com chorumelas, diploma não garante idoneidade para ninguém, ok?! Isso é para qualquer profissão. Diploma garante aos que querem trabalhar com honestidade e dedicação um maior aprendizado, um melhor aprimoramento, o que devia ser motivo de orgulho e não de sarcasmo. E eu quero saber onde está a idoneidade desses que estudam, se formam e estão aí fazendo coisas erradas com suas carreiras devidamente “regulamentadas”.
Agora vai ser assim: fulano fala o que quer, todos vão se sentar e escrever nos jornais o que bem pensam, independentemente de terem cursado faculdades de Comunicação ou não. E depois não me venha reclamar dos BBBs que saem da televisão já pensando em ser artistas, ta! E também nada de reclamar por danos morais sofridos, pois cada um fala o que quer e a liberdade de expressão é o que vale. Inclusive a minha. E tenho dito.

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