segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Discriminação é o principal tema da ficção Distrito 9


Estreou na última sexta-feira (16/10) o filme Distrito 9 (District 9), ficção científica com a produção de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) e direção de Neil Bloomkamp. A história trata sobre uma nave alienígena que chegou em Johanesburgo, África do Sul, há mais de 30 anos, e que por ali ficou por estar com problemas mecânicos. A população que antes esperava uma invasão viu que não se tratava disso, e acabou oferecendo a eles o Distrito 9, uma região periférica da cidade. Com o passar do tempo, a população se cansou da convivência próxima dos visitantes, e a solução que encontraram foi a de transferi-los para um local mais afastado da cidade. O problema é que eles não aceitam essas condições.

Os alienígenas são sujos, tem uma noção de vida diferente dos humanos, vivem de fazer trocas de armas que possuem por comida. Quem acaba por traficar essas mercadorias são os nigerianos que vivem pelas redondezas da favela do Distrito 9. Totalmente voltado ao tema discriminação, um dos pontos é o fato de citar nigerianos como um povo do mal, que trafica e mata sem nenhum problema. Pelo que se diz, a veiculação do filme já foi vetada na Nigéria.

Outro ponto forte é a discriminação humana com outros seres. Ignorando o fato dos alienígenas - a quem os humanos apelidaram de “camarões” devido ao seu aspecto, serem também seres vivos -, eles são tratados como insetos, no meio do lixo e pobreza, sem direito a nada, nem mesmo de conviver no mesmo lugar que a comunidade humana. Tornam-se então seres revoltados, que sonham com o conserto da “nave mãe” para o retorno ao mundo de onde vieram.

Quando é decidida a ação de despejo dos camarões do Distrito 9, a MNU, uma espécie de empresa de segurança privada local, é acionada para resolver o problema, e seu agente Wikus Van der Merwe (Shalto Copley) é o encarregado para transferi-los para o que chamam de Distrito 10. No meio da empreitada, Wikus acaba sofrendo um acidente com um produto alienígena e tem o seu DNA alterado.

O filme começa como um documentário, chato e sem atrativo, mas passa a ter cenas interessantes, nojentas e que nos chamam a discutir o assunto. Muitas discussões provavelmente virão dele, como o caso da discriminação contra os nigerianos, do porquê da nave baixar na África do Sul e não nos EUA como é de costume, do fato de outras nações se mostrarem isentas ao problema com os alienígenas, do tratamento dado a Wikus após o acidente sofrido, dos problemas políticos sofridos pela África do Sul, como o apartheid, da falta de sensibilidade e maldade dos seres humanos...enfim, é muita discussão para um filme só.

Confesso que de início não estava gostando da história, mas fiquei satisfeita com o resultado final. A fotografia é bem diferente, até mesmo a maneira como foi contada mais uma história sobre ET’s, já que sempre os vemos tentando invadir, seqüestrar e até maltratar os humanos. A atuação de Shalto Copley também é muito boa, ele nos convence de quão bobo é e de quão vítima se tornou.

Para quem gosta de ficção científica é um prato cheio, para quem não é muito chegado, ainda assim o recomendo pelo fato de ser mesmo diferente do que vemos (eu não gosto de ficção científica e fiquei impressionada com o filme). Vale lembrar que já está sendo cogitado para futuro Oscar...

Fonte e foto: Sony Pictures

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