sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Crítica : Ela

Relação amorosa combinada com a modernidade da 
inteligência artificial é o tema do sensibilizante "Ela"





Em tempos em que a correria do dia a dia faz com que não tenhamos tempo para interagir com pessoas, o diretor Spike Jonze nos apresenta Ela (Her), um romance mesclado com ficção científica que nos fará pensar em quanto vale o relacionamento humano.

Theodore Twombly (Joaquim Phoenix) é um homem triste, marcado por um casamento que não deu certo com a mulher que foi sua grande paixão, Catherine (Rooney Mara). Trabalha como escritor de cartas, função que faz muito bem, porém não com o mesmo entusiasmo de antes. Antissocial, tem poucos amigos, entre eles Amy (Amy Adams), com quem divide alguns dos poucos acontecimentos de sua vida.

Muito ligado à tecnologia, Theodore conhece o novo programa de inteligência artificial que está disponível no mercado. Adquire o produto que se revela com o nome de Samantha (voz de Scarlett Johanson), e logo se sente íntimo daquela voz que parece estar interessada em sua vida.

Ela nos traz um mundo muito real, por mais absurdo que possa ser. Se você parar para pensar, quantas pessoas você conhece que a solidão a faria se relacionar com uma máquina, só para se sentir amado?

A realidade de Theodore, toda melancolia de sua vida, o arrasta para viver em um mundo só seu. Ao se fechar para o mundo do lado de fora, ele encontra na máquina uma mulher que realmente se interessa e corresponde suas necessidades, o que faz com que se sinta apaixonado por ela, mesmo não tendo um corpo.

Daí vem o questionamento: a inteligência artificial realmente substitui relacionamentos humanos? Theodore faz pensar que está tudo bem ao dizer aos amigos que namora uma inteligência de computador, mas analisando a película vemos o quão triste é a realidade de uma pessoa que deseja viver nesse mundo.

O filme foi muito bem elaborado, com uma fotografia perfeita, parecendo o tempo todo que o ator faz um “selfie” ou monólogo consigo mesmo. Joaquim Phoenix deu uma vida convincente ao melancólico Theodore, e os diálogos deixam claro o tipo de pessoa que se deixa envolver com uma máquina para fugir do mundo real e das decepções reais.

Ela é um filme com muita emoção, engraçado e ao mesmo tempo triste e depressivo, mas com uma ótima sacada, diferente do que já vimos. Um filme que vale a pena conferir e repensar no quanto, apesar de todas as facilidades que a tecnologia nos oferece, ainda é importante a socialização e contato com o ser humano. Confira e sinta.




Um comentário:

  1. Sou um grande apreciador do trabalho de Spike Jonze e tenho certeza de que se trata de uma grande experiência cinematográfica. Em breve...

    abraços

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