sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quando o jornalismo é transformado em piada


Tenho visto o jornalismo deixando de ser, muitas vezes, um negócio sério, de credibilidade, para entrar no ramo de piadinhas e sarcasmo. Lembrando que programas como CQC são entendidos como jornalístico.

Então vejamos: onde o CQC é de fato jornalismo, e onde passa a ser piada, entretenimento? Vejo matérias muito legais neste programa, mas em quadros como o “Proteste Já”, onde o teor é uma denúncia de descaso público, acho totalmente desnecessário aquelas vestimentas ridículas e piadinhas envolvidas num assunto tão sério. A denúncia tem que ser séria, ao meu ver, sem gracinhas que possam levar ao descrédito. 

O mesmo acontece no SPTV, programa jornalístico do meio-dia da Rede Globo São Paulo, onde o repórter alegre Marcio Canuto, conhecido como “fiscal do povo”, apresenta o quadro SP Comunidade. Canuto, em seu jeito mais despojado e divertido, também faz piadinhas com a situação, e muitas vezes, brincadeiras durante a filmagem.

Agora, engraçado mesmo (ou deprimente, como parece), são os jornais matutinos. Na Band, temos o Primeiro Jornal, com Luciano “olha a hora” Faccioli e Patrícia Maldonado. Ao meu ver, a duplinha não combinou, pois é evidente a diferença entre a postura dos dois, já que Faccioli é do jornalismo que grita, faz comentários mais agressivos, e Patrícia não tem esse perfil.

Na Record temos o Balanço Geral, com Geraldo Luis e galo William (hein?). Sim, é verdade, durante as matérias o âncora conversa com um galo de verdade. E sai cada coisa, que sinceramente, só mudando de canal...

Durante a noite, desnecessário dizer o que temos, né? É a hora do jornalismo agressivo, sensacionalista, de histórias de polícia, de passar raiva mesmo (não sei se raiva do crime ou dos comentários dos apresentadores). Lá estão programas como Cidade Alerta (Record), com Marcelo Rezende, e Brasil Urgente (Band), com o já figurinha carimbada desse tipo de jornalismo, José Luis Datena.

Eu não sei realmente se certas piadas cabem em programas de fato jornalísticos. Sim, talvez eu esteja sendo birrenta demais, e a alegria contagiante em assuntos sérios deixem o clima mais leve. Mas, sinceramente, tem coisas que acho desnecessária e irritante mesmo. Ainda prefiro o estilo sério e bem explicativo do jornalismo, sem gritaria, sem sensacionalismo, sem brincadeiras. Notícia, fato, e pronto.


 

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Não sou jornalista, mas como espectador considero que todos estes programas que você citou não tem credibilidade alguma.

    Além da "interpretação da notícia", onde cada veículo distorce a história de acordo com seus interesses, essa mistura de jornalismo, comédia e até programa de variedades tentam transformar tudo em show, deixando "a verdade" em segundo plano.

    Até mais

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